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Trump quer reproduzir mundo impossível de ser reproduzido, diz professor


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, completou um mês no cargo na quinta-feira (20). Nesses 30 dias de governo, o republicano impôs tarifas comerciais sobre produtos que entram em solo norte-americano, retirou o país de organismos internacionais — como a Organização Mundial da Saúde (OMS) — e falou em “assumir o controle” da Faixa de Gaza e realocar seus mais de dois milhões de habitantes em países vizinhos. 

Trump também endureceu críticas à Ucrânia e chamou o presidente Volodymyr Zelensky de um “ditador sem eleições”. O republicano ainda alertou o líder ucraniano para que ele se apressasse para um acordo ou perderia seu país. 

Neste segundo mandato, Trump sinaliza para o fortalecimento da política “America First” ao adotar uma postura priorizando os Estados Unidos em diferentes frentes, como economia, política e relações internacionais. 

De acordo com o professor de Ciência Política do Berea College, Carlos Gustavo Poggio, Trump está tentando reproduzir um cenário geopolítico que não é mais viável. 

“Este mundo que o Trump quer reproduzir, com essa técnica de negociação, com a volta desse jogo das grandes potências, não me parece que é possível de se reproduzir no século 21”, explicou. 

Poggio destaca que a visão de Trump sobre as relações internacionais remonta ao século 19, uma era pré-Segunda Guerra, quando era possível que poucos líderes mundiais tomassem decisões que afetariam o ordenamento internacional. 

O professor citou como exemplo a Conferência de Yalta, realizada em fevereiro de 1945, quando o então primeiro-ministro britânico Winston Churchill, o ditador Josef Stalin — que governou a União Soviética por 29 anos (de 1922 a 1953) — e o então presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, definiram o arranjo internacional do pós-guerra. 

“Hoje não é mais possível esse mundo, um mundo muito mais complexo, com muito mais atores, muito mais difícil você voltar a fazer esse jogo das grandes potências”, ressaltou Poggio. 

Para o professor, a visão de Trump de que “no jogo das grandes potências os pequenos devem se calar” não se aplica à realidade contemporânea. “A Europa atual não é a mesma que passou pelas duas guerras mundiais, temos uma outra configuração na Europa e no resto do mundo como um todo, com novos atores, como a China, que têm papel fundamental no cenário internacional”, concluiu. 



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