quarta-feira , 1 abril 2026
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Medidas cobrem o déficit de 2025, mas não resolvem questão fiscal, diz economista


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, após encontro com o Presidente Lula, que o governo vai enviar ao Congresso as medidas que foram apresentadas nos últimos dias para substituir a elevação do IOF. Para a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, mais uma vez, “as medidas se concentram em aumento de impostos, especialmente sobre o setor financeiro e sobre rendimentos de títulos de renda fixa, hoje isentos”. 

Segundo a economista, o movimento tende a elevar ainda mais o custo de capital no Brasil. Isso ocorre, “principalmente, porque seguimos sem a perspectiva de corte de juros no curto prazo. A taxa Selic deve permanecer alta por um longo período e a incerteza fiscal no curto prazo já apagou uma parte das apostas de cortes em 2025”, analisa. 

Leia também: Como novas medidas para recalibrar o IOF afetarão bancos e varejo na B3? XP responde

Além disso, a economista alerta, o risco fiscal ainda sem solução estruturante mantém os juros reais de longo prazo bastante elevados, com emissões do tesouro ao custo de IPCA +7,2%.

Neste cenário, a ausência de medidas estruturais de controle do crescimento dos gastos mostra a dificuldade do caminho mais crível para o ajuste fiscal duradouro. “Mais impostos vão cobrir o déficit em 2025 e parcialmente em 2026, mas não resolvem a trajetória que seguirá de deterioração sem reformas mais definitivas”, alerta.

Outros caminhos

Para um ajuste mais duradouro, a economista cita como propostas mais aguardadas a desvinculação dos pisos da saúde e educação, revisão de regras do BPC, apoio ao projeto de limite de supersalários e reforma da previdência dos militares. No entanto, segundo ela, nada disso parece ter o apoio do executivo para seu encaminhamento e aprovação no Congresso.

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“O aumento de gastos vem mantendo a demanda aquecida e o crescimento do PIB acima do potencial, o que eleva a inflação e resulta em política monetária restritiva. Sem solução à vista, o risco fiscal mantém o prêmio de juros em alta”, afirma a economista do Banco Inter.

Rafaela Vitória diz ainda que “o governo segue ignorando esse elevado custo com as despesas com juros, tanto para a dívida pública como para o setor privado, restringindo as medidas a aumento de impostos que não só são medidas paliativas, mas vão limitar o crescimento da economia pelo lado da oferta”.



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