quinta-feira , 2 abril 2026
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Com tarifas, carne dispara nos EUA e atinge máxima histórica, a R$ 143/kg


Os preços da carne bovina nos Estados Unidos atingiram novos recordes em julho e tendem a seguir pressionados, em meio à combinação de estoques domésticos reduzidos e tarifas de importação impostas pelo governo Trump.

Segundo o Departamento de Estatísticas de Trabalho (BLS, na sigla em inglês), o índice de carne bovina e vitela subiu 2,5% em julho, acumulando alta de 11,3% em 12 meses. O preço médio da carne moída chegou a US$ 6,34 por libra (equivalente a R$ 76 por quilo), enquanto o de bifes crus atingiu US$ 11,88 por libra (R$ 143/kg) — ambos em máximas históricas. Um ano antes, esses valores eram de US$ 5,62/lb (R$ 68/kg) e US$ 10,86/lb (R$ 60/kg), respectivamente.

O Departamento de Agricultura (USDA) estima que o rebanho de bovinos nos EUA recuou para 94,2 milhões de cabeças, frente a 94,4 milhões em 2020. A projeção oficial é que a produção de carne caia para 31,1 bilhões de libras em agosto de 2026, o menor nível desde 2019 .

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A oferta limitada se traduz em preços mais altos para pecuaristas e frigoríficos. O WASDE de agosto aponta corte nas previsões de abate e de peso médio dos animais em 2025, prolongando a escassez. “A força recente dos preços e a resiliência da demanda sustentam a valorização do gado, e isso está sendo carregado para 2026”, informou o USDA .

Tarifa sobre o Brasil muda o jogo

A estratégia do governo Trump de impor tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, que representaram 27% das importações de carne bovina dos EUA em 2025, ameaça agravar o desequilíbrio. O USDA já reduziu a projeção de importações tanto para 2025 quanto para 2026, citando “menores embarques devido às tarifas mais altas, particularmente do Brasil” .

Ao Wall Street Journal, o CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho, afirmou que não há alternativa imediata capaz de substituir o fluxo brasileiro: “Austrália e outros exportadores não têm volume suficiente para cobrir essa lacuna. O resultado será uma disputa mais intensa por cortes magros de carne, essenciais para a produção de hambúrgueres”, falou.

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A pressão já se faz sentir nas redes de fast-food. O Wall Street Journal relata que, sem a gordura importada do Brasil, empresas estão tendo que recorrer a cortes nobres do gado americano, como o round primal (parte traseira), para compor a carne moída. Esse redirecionamento pode encarecer também bifes e churrascos. “Esse lean vai ter que vir de algum lugar”, disse Batista Filho. “As coisas vão ter que se ajustar”.



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