quinta-feira , 11 junho 2026
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Brasil amplia aposta no México e Canadá para driblar tarifa de Trump


CIDADE DO MÉXICO – Com as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos impactando diretamente as exportações brasileiras, o governo federal decidiu intensificar as relações comerciais com México e Canadá.

A movimentação faz parte de uma estratégia para diversificar os destinos dos produtos nacionais e reduzir a dependência do mercado norte-americano — que responde por cerca de 55% dos itens hoje atingidos pelo tarifaço.

Na manhã desta quarta-feira (27), o vice-presidente Geraldo Alckmin, acompanhado do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, se reuniu com mais de 100 empresários brasileiros na Cidade do México. A missão será estendida ao Canadá nos próximos dias.

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México e Canadá na mira brasileira

Durante o encontro, as autoridades brasileiras destacaram que a visita tem como objetivo aprofundar acordos comerciais com os dois países, ambos entre os dez principais destinos com maior volume de importações nos setores atingidos pelas novas tarifas dos EUA.

Segundo levantamento da ApexBrasil, 449 oportunidades de negócios foram identificadas em 72 países como alternativas ao mercado americano. O México se destaca tanto pela proximidade logística quanto pelo crescimento da demanda por alimentos e tecnologia. Em 2023, o Brasil exportou mais de US$ 400 milhões em carne bovina para o país, ante apenas US$ 20 milhões em 2021.

“Estamos falando de dois mercados estratégicos. A logística para o México e Canadá é tão eficiente quanto a dos EUA, e o nível de diversificação comercial também é elevado”, destacou Jorge Viana.

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Para o vice-presidente Geraldo Alckmin, a missão é uma resposta direta ao novo cenário internacional. “O México é o sétimo destino das exportações brasileiras, e nós somos um novo destino para os produtos mexicanos. Estamos aqui para ouvir o setor produtivo e ampliar as oportunidades”, afirmou.

A presidente da ApexBrasil reforçou que a aproximação com o México não substitui o comércio com os EUA, mas cria novas alternativas. “Independente do que gostaríamos, o cenário é este. Seguiremos dialogando com os americanos, mas é hora de agir com pragmatismo”, disse.

Café, arroz, carne e tecnologia

Entre os setores com maior potencial de ampliação no mercado mexicano estão alimentos, tecnologia, bioenergia e transportes. O Brasil mira, em especial, o aumento da exportação de arroz, café e carne, e vê espaço para a entrada de empresas da área de inovação.

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Viana também lembrou da atuação da Embraer no México, com mais de 100 aeronaves em operação e mais de mil empregos gerados na cadeia produtiva. “Queremos institucionalizar esses fóruns de negócios de dois em dois anos. Esta já é a 20ª missão internacional organizada desde o início do governo Lula, e vamos seguir expandindo”, disse.

Fávaro: Lula previu a importância da diversificação

O ministro Carlos Fávaro ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou a necessidade de abrir novos mercados. “A intuição do presidente estava certa. Essa missão começou ainda no início do governo. Agora, ela se mostra fundamental para mitigar os impactos da elevação tarifária americana”, afirmou.

Fávaro disse ainda que a boa diplomacia comercial precisa ser recíproca. “Viemos aqui não só para levar boas notícias ao Brasil, mas também para oferecer oportunidades ao empresariado mexicano. A relação precisa ser ganha-ganha”, concluiu.



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