quinta-feira , 11 junho 2026
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Com baixa criação de empregos, EUA deve cortar juro para estimular economia


Os dados de emprego nos Estados Unidos (payroll), divulgados nesta sexta-feira (5), apontam uma taxa de criação de novas vagas bem abaixo do esperado, o que mostra um enfraquecimento na economia e reforça as apostas do mercado em uma redução de juro na próxima reunião do FOMC, o comitê de política monetária americano, prevista para 17 de setembro.

O payroll aponta que foram criadas 22 mil novas vagas, quando a expectativa era de 75 mil novos postos de trabalho. Dos 11 setores pesquisados, 7 apresentaram perdas de emprego. A taxa de desemprego aumentou na margem, de 4,2% para 4,3%, maior valor desde 2021.

Leia também: Ibovespa acima de 143 mil, dólar abaixo de R$ 5,40: como o payroll animou o mercado?

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, afirma que a média móvel trimestral de criação de vagas está em 29 mil vagas, quando o número considerado saudável é de 150 mil a 200 mil postos mensais.

“O dilema do FED [Federal Reserve, o Banco Central dos EUA] é equilibrar dois riscos: reduzir os juros cedo demais, correndo o risco de estimular a economia antes que a inflação esteja devidamente ancorada, ou esperar mais tempo para avaliar a trajetória dos preços, correndo o risco de aprofundar a desaceleração da atividade”, afirma.

Leia também: Aposta em corte nos EUA e real valorizado reacendem debate sobre juros no Brasil

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Corte de juro

Os Estados Unidos enfrentam uma taxa de juro entre 4,25% e 4,5% desde dezembro do ano passado. Além das apostas no corte aumentarem, entra em discussão agora o tamanho dessa redução.

Para André Valério, economista sênior do Inter, a aposta no corte é certa. “O dado de hoje garante o corte na taxa de juros”, afirma. “Tendo em vista os dados bem fracos de emprego nos últimos meses, é provável que se veja uma discussão de corte de 50 pontos base. Se optarem por 25 pontos base é possível que o comitê se comprometa com uma sequência de cortes”, avalia.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, também reforça a aposta no corte. “A probabilidade de corte das Fed Funds está em praticamente 100%, com parte do mercado apostando inclusive em um corte mais forte, de 0,5 ponto, e 98% ainda precificando 0,25.”

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Gabriel Mollo, analista de investimentos do bancos Daycoval, diz que o mercado já precifica três cortes de 25 pontos base para esse ano.

A divulgação da inflação de agosto, medida pelo CPI, na próxima quinta-feira, terá importância para determinar a intensidade e frequência dos cortes, segundo o economista do Inter.

“Caso vejamos uma inflação contida, a probabilidade de três cortes até o fim do ano volta a ganhar força. Por ora, mantemos a expectativa de cortes na reunião de setembro e dezembro”, diz.

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Movimentação do mercado

Com a taxa de juros dos Estados Unidos como balizador do preço dos ativos globais, o movimento tende a ser positivo para a curva de juros e ativos de risco das demais economias, avalia a analista de macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão. Por isso, após a divulgação do indicador, a curva de juros brasileira e o dólar também operam em queda.

Zogbi destaca que os futuros dos índices de ações caíram imediatamente após a notícia, mas S&P e Nasdaq voltaram a responder com altas na expectativa de que os cortes de juros possam estimular os negócios e um fluxo maior para a renda variável.

“O otimismo com inteligência artificial também está de volta para o pregão de hoje, após resultados da Broadcom acima das expectativas. A tese para as ações americanas está fortemente conectada a essa expectativa de cortes de juros recentemente, indicando uma alta sensibilidade a mudanças nessas projeções”, diz a estrategista-chefe da Nomad.



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