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Fed faz o esperado com corte de juros, mas projeções e Powell trazem surpresas


A decisão do Federal Reserve de cortar os juros em 0,25 ponto percentual já era esperada pelo mercado, mas as projeções e algumas declarações de Jerome Powell, presidente da autoridade monetária, trouxeram algumas surpresas.

Conforme aponta Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o cenário agora indica dois cortes adicionais ainda em 2025, o que representa uma revisão em relação a junho, quando eram projetados apenas dois cortes até o fim de 2025.

Para 2026 houve apenas um ajuste marginal, com um corte extra previsto, enquanto em 2027 a projeção passou a considerar mais um corte, levando a taxa a 3%.

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“O comunicado em si trouxe poucas mudanças, apenas ajustes de terminologia para justificar os próximos passos, sempre com a ressalva de que tudo depende dos indicadores”, aponta.

Outro ponto relevante foi o voto do novo indicado de Donald Trump, Stephen Miran, que defendeu um corte de 0,50 ponto. Isso reforça a expectativa de que futuros indicados por Trump possam pressionar por cortes mais rápidos.

Nas projeções o PIB foi revisado para cima, de 1,4% para 1,6% em 2025 e de 1,6% para 1,8% em 2026. Já o desemprego ficou em 4,5% este ano, mas foi revisado para baixo em 2026, de 4,5% para 4,4%. Esse dado chama atenção porque, embora o mercado de trabalho esteja desacelerando na criação de vagas, a taxa de desemprego dificilmente deve disparar devido à redução no número de imigrantes nos EUA.

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Por fim, na inflação, o Fed manteve a projeção de 3% para este ano, mas revisou de 2,4% para 2,6% em 2026. “Ou seja, o corte veio em um contexto de indicadores mais pressionados, especialmente em relação à inflação. Isso torna o ambiente mais desconfortável, já que o discurso do Fed se ancora na ideia de que os efeitos das tarifas são temporários. O ritmo dos próximos cortes vai depender da evolução dos dados e não se pode descartar até mesmo a necessidade de alta no ano que vem”, avalia.

Camilo Cavalcanti, Gestor de Portfolio da Oby Capital, avalia que, qualitativamente, o ponto relevante foi para a percepção de piora no momento e perspectivas para o mercado de trabalho, enquanto avaliou que apesar de ter subido recentemente, a inflação não é a principal preocupação do colegiado.

Discurso de Powell com visões diversas

Após as decisões de juros, o mercado ficou de olho posteriormente nas falas em coletiva de Jerome Powell, presidente do Fed.

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Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, aponta que, no discurso, Powell voltou a comentar sobre o mandato duplo do Banco Central, que é cuidar tanto da inflação quanto do pleno emprego nos Estados Unidos. Ele argumentou que 100% do aumento da inflação veio da inflação de bens. Os serviços estão, na verdade, passando por um processo desinflacionário.

“Ficou claro que o impacto das tarifas ainda está bem reduzido e ao que parece é menor do que o esperado, pelo menos nos bens e serviços e no mercado de trabalho como um todo. Então, Powell ainda espera que o impacto das tarifas de fato tenha um efeito um pouco maior. Mas, ainda assim, o impacto está sendo bem pequeno agora”, ressalta o especialista.

Powell também sinalizou que o risco de inflação permanentemente alta se reduziu muito, o que contribui para que o Fed saia de um nível de política monetária restritiva para um nível acomodatício.

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Luis Cezario, economista-chefe da Asset 1, também aponta que, na conferência de imprensa, as mensagens dadas por Powell foram dovish (brandas, apontando para corte nos juros).

“Ele foi claro ao avaliar que com as revisões recentes nos dados da Pesquisa de Emprego, o cenário passou a mostrar uma piora revelante para a criação de postos de trabalho, e que isto aumentou o risco de uma deterioração indesejada do mercado de trabalho. Além disso, Powell mostrou-se confiante de que os impactos da elevação das tarifas de importação sobre os preços serão temporários. A combinação destes dois pontos indica que a maioria dos membros do FOMC está mais disposta a correr mais riscos com a meta de inflação para mitigar os riscos com relação ao mandato de pleno emprego”, avalia.

O especialista acredita que o cenário mais provável é que o Fed mantenha um ritmo de redução de 25 pb por reunião até levar a taxa de juros para um patamar próximo de 3,0% a.a. (ao ano).

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“Contudo, avaliamos que a assimetria em torno deste cenário permanece voltada para cortes mais rápidos e com uma taxa de juros terminal abaixo do patamar neutro caso a economia americana comece a gerar demissões líquidas e a taxa de desemprego suba mais rapidamente”, aponta.

Já para Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Powell adotou um tom cauteloso em entrevista, ressaltando que os efeitos das tarifas sobre a inflação ainda não se manifestaram completamente e que, embora o impacto esperado seja de curto prazo, o risco central a ser monitorado é a persistência da inflação.

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, chama a atenção para dois pontos da fala de Powell. Um primeiro ponto foi a avaliação de que um corte 50 pontos-base, opção apenas defendida por Miran, não faria grande diferença para a economia. Além disso, houve o alerta de que política monetária deve migrar para o campo neutro, e não estimulativo.

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“Apesar do início do ciclo de cortes, a dissidência bem menor que a expectativa. Foi um corte hawkish”, afirma Borsoi. “Outro ponto relevante é que o Fed só quis ‘antecipar’ o ciclo de corte. Não há mudança na direção de política monetária. O Fed ainda vai buscar o nível neutro, mas de forma mais ágil.”

(com Estadão Conteúdo)



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