sexta-feira , 27 março 2026
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Pico da inadimplência ficou para trás? Projeção indica queda, mas alerta para dívida


O pico da inadimplência pode ter ficado para trás, de acordo com novas projeções de consumo. Os dados indicam um cenário de estabilidade com viés de baixa para a inadimplência das pessoas físicas no Brasil, mas o endividamento ainda acende um alerta.

A estimativa é que novembro feche com taxa de inadimplência média de 4,72%, oscilando dentro de um intervalo entre 4,44% e 5,01%. Até setembro, a taxa de inadimplência estava em 4,77%, segundo o Banco Central.

A tendência de controle se mantém também para os meses seguintes. A projeção é de que a inadimplência de dezembro recue para 4,64%, e a de janeiro para 4,77%.

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Projeção da inadimplência: pessoas físicas (%)
limite inferior média limite superior
novembro/2025 4,44 4,72 5,01
dezembro/2025 4,24 4,64 5,05
janeiro/2026 4,26 4,77 5,28
Fonte: Ibevar/FIA

O estudo econométrico, feito com dados do Banco Central, é do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) e pela FIA Business School. Ele calcula a evolução da taxa de pessoas com pelo menos uma parcela atrasada há mais de 90 dias.

Segundo o levantamento, os números da projeção representam um “patamar controlado e compatível com a trajetória recente de crédito”.

Taxa de inadimplência: pessoas físicas (%)
2024 2025
Janeiro 3,67 3,78
Fevereiro 3,67 3,85
Março 3,62 3,91
Abril 3,66 4,13
Maio 3,69 4,24
Junho 3,62 4,29
Julho 3,70 4,55
Agosto 3,74 4,78
Setembro 3,75 4,77
Fonte: Banco Central

No segmento de crédito com recursos livres – sem taxas regulamentadas e, por isso, tradicionalmente mais sensível às flutuações da economia e taxas de juros –, os dados também apontam para um alívio.

A projeção para novembro de 2025 é de uma taxa média de 6,61%, com intervalo entre 6,30% e 6,92%. 

Caso confirmado, este resultado representará uma queda de 0,09 ponto percentual em comparação ao dado real observado em setembro de 2025, que foi de 6,70%, e ficará 0,08 ponto percentual abaixo da estimativa de outubro.

Atraso e inadimplência: pessoas físicas, recursos livres
limite inferior média limite superior
novembro/2025 6,3 6,61 6,92
dezembro/2025 6,12 6,58 7,04
janeiro/2026 6,07 6,68 7,29
Fonte: Ibevar/FIA

Alerta para atrasos de curto prazo

Apesar do otimismo com a tendência de queda, o estudo faz uma ressalva importante sobre a qualidade do crédito no curto prazo. Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, chama a atenção para os atrasos recentes que ainda não configuram inadimplência oficial, mas servem como sinal de alerta.

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“O aumento recente dos atrasos entre 15 e 90 dias sugere que o índice efetivo de inadimplência possa se aproximar da faixa superior da estimativa, em torno de 6,9%”, afirma Felisoni.

Essa observação indica que, embora a média projetada aponte para 6,61% nos recursos livres, a pressão dos atrasos recentes pode empurrar o número real para o teto da margem de erro calculada pelo instituto.

“Há uma melhora no indicador, ou seja uma retração. Esse movimento está associado principalmente ao mercado de trabalho. Entretanto, esse resultado é algo pontual, pois o nível de endividamento das famílias beira 50% e há uma tendência continua de expanssão”, alerta.



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