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Alimentos perdem força no IPCA-15 e renovam aposta em corte da Selic em janeiro


A prévia da inflação divulgada nesta quarta-feira (26) apresentou alta de 0,20%, pressionada pelos preços em serviços e atenuada por alimentos. O índice acumulado em 12 meses chegou em 4,50% – banda máxima do limite do Banco Central esperado para este ano. A meta da inflação é de 3%, com uma margem de variação de 1,5 ponto percentual para mais e para menos.

Segundo especialistas, o dado reforça o viés de baixa para inflação deste ano e coloca ainda mais expectativa para o corte da taxa básica de juros, a Selic, em janeiro do ano que vem.

Foco nos números

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,20% em novembro. O resultado, que compreende a variação de preços entre 16 de outubro e 15 de novembro, ficou ligeiramente acima das expectativas do mercado (0,18%).

No entanto, a média dos núcleos — medida que exclui itens mais voláteis — avançou 0,27%, patamar inferior ao aguardado pelos analistas (0,29%).

Embora o índice tenha acelerado em relação a outubro, os dados apontam para um cenário qualitativo benigno, com a inflação subjacente de serviços perdendo força.

A “surpresa altista” do mês foi protagonizada pelo setor de Transportes (+0,22%), impulsionado fortemente pelas passagens aéreas, que subiram 11,87%. André Valério, economista sênior do Inter, destaca que este item volátil foi o principal responsável pela aceleração da inflação de serviços (0,66%).

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Em contrapartida, houve alívio em itens essenciais. O grupo Alimentação e bebidas variou +0,09%, interrompendo cinco meses de queda, mas a alimentação no domicílio permaneceu no terreno negativo, recuando -0,15%.

Leonardo Costa, economista do ASA, aponta que as quedas no leite longa vida, arroz e frutas ajudaram a compensar as altas da batata, óleo de soja e carnes. Já a alimentação fora de casa acelerou (+0,68%), pressionada por lanches e refeições. Outro fator de contenção foi a queda nos combustíveis (-0,46%) e na energia elétrica (-0,38%), embora esta última ainda sofra influência da bandeira tarifária vermelha patamar 1.

Entre os nove grupos pesquisados, sete registraram alta. O destaque ficou com Despesas Pessoais (+0,85%), puxado por hospedagem e pacotes turísticos, e Saúde e Cuidados Pessoais (+0,29%), influenciado pelos planos de saúde.

Cenário de desinflação mantido

Apesar da leve aceleração no índice cheio, a avaliação qualitativa dos dados sugere estabilidade. Leonardo Costa ressalta que a inflação subjacente de serviços ficou abaixo da expectativa da casa, com surpresas baixistas em serviços veiculares e aluguel. Além disso, a média móvel de três meses deste indicador segue em desaceleração, recuando de 4,76% para 4,44%.

André Valério avalia que a média dos núcleos mantém tendência de queda na média móvel trimestral (0,23%), o menor valor desde setembro de 2023. O índice de difusão, que mede o espalhamento da alta de preços, subiu de 51% para 55%, um nível considerado contido e consistente com o processo de desinflação.

“Mantemos a nossa expectativa de que o IPCA cheio continue desacelerando, o que faria com que a inflação encerrasse 2025 dentro do teto da meta de 4,50%”, projeta Valério.

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Para Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), os números refletem uma economia que combina estabilidade com crescimento puxado pelo consumo das famílias.

Corte dos juros

Segundo Valério, os dados reforçam a análise de que há condições para o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar o ciclo de queda da Selic na reunião de janeiro, cortando 25 pontos base.

Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, avalia que ao fim de 2026 a taxa básica de juros deve chegar próximo a 12%, com expectativa de 11,5% da instituição. “Vemos como risco o mercado ‘exagerar’ e precificar ciclo mais intenso do que o atualmente precificado”, afirma.

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