segunda-feira , 30 março 2026
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Alta do núcleo da inflação acelera e complica tarefa do BC japonês


A alta do núcleo da inflação do Japão acelerou em março devido a aumentos persistentes nos custos dos alimentos, mostraram dados nesta sexta-feira, complicando a tarefa do banco central japonês de ponderar as crescentes pressões sobre os preços em relação aos riscos para a economia decorrentes do aumento das tarifas comerciais dos Estados Unidos.

Os dados chegam antes da reunião de política monetária do Banco do Japão em 30 de abril e 1º de maio, quando o banco deve manter as taxas de juros estáveis em 0,5% e cortar suas estimativas de crescimento, uma vez que as tarifas elevadas do presidente dos EUA, Donald Trump, obscurecem as perspectivas econômicas.

O núcleo do índice de preços ao consumidor (IPC), que inclui produtos petrolíferos, mas exclui os preços de alimentos frescos, aumentou 3,2% em março em relação ao ano anterior, mostraram dados do governo, correspondendo a uma previsão mediana do mercado e acelerando em relação a um ganho de 3% em fevereiro.

O núcleo da inflação já ultrapassou a meta do Banco do Japão de 2% todos os meses por três anos consecutivos, em um sinal de pressão crescente sobre os preços, já que as empresas continuam a repassar o aumento dos custos de matéria-prima e mão de obra.

A inflação medida por um índice que elimina os efeitos dos custos de alimentos frescos e de combustível — observada de perto pelo Banco do Japão como um indicador mais amplo da tendência de preços — também acelerou para 2,9% em março, de 2,6% em fevereiro.

As famílias enfrentaram aumentos nos preços de uma ampla gama de produtos, incluindo gasolina, contas de hotel e chocolates. Os preços do arroz aumentaram 92,5% em março em relação aos níveis do ano anterior.

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Os preços dos serviços aumentaram 1,4% em março, em termos anuais, muito menos do que o salto de 5,6% nos preços dos produtos, em um sinal de que o recente aumento da inflação foi impulsionado principalmente pelos altos custos das matérias-primas.

“Os preços dos alimentos permanecerão elevados por enquanto, devido ao mau tempo global e aos custos mais altos dos alimentos importados”, disse Takeshi Minami, economista-chefe do Norinchukin Research Institute.

“Mas as tarifas de Trump podem prejudicar as economias domésticas e internacionais, que o Banco do Japão deve examinar. Vemos uma chance crescente de que o próximo aumento da taxa de juros do Banco do Japão seja adiado para julho ou mais tarde”, disse ele.

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O impacto do aumento do custo de vida sobre o consumo aumentará as dores de cabeça dos formuladores de política monetária que estão lutando para quantificar os possíveis danos causados pelas tarifas mais altas dos EUA, que ameaçam inviabilizar uma modesta recuperação da economia japonesa, dependendente das exportações.

O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse ao Parlamento do país nesta sexta-feira que os recentes aumentos na inflação ao consumidor foram impulsionados pelo aumento dos preços dos alimentos, embora essa pressão de custo provavelmente se dissipe.

“Continuaremos a aumentar as taxas de juros se a inflação subjacente continuar a se acelerar para 2%, conforme projetamos”, disse Ueda. “Mas analisaremos sem qualquer pré-concepção se nossas previsões realmente se concretizarão”, dada a incerteza sobre como as tarifas de Trump poderiam afetar a economia.



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