A expectativa de inflação no curto prazo caiu, mas para o ano que vem continua a mesma. Luiza Pinese, economista XP, explicou os motivos desse quadro no programa Morning Call da XP nesta sexta (6).
“Para esse ano, a XP reduziu a projeção de inflação. Ela saiu de 5,7% para 5,5%. Os números de curtíssimo prazo se mostraram bem-comportados, principalmente na parte de bens industriais”, disse ela.
Além disso, Luisa Pinese comentou que a depreciação da taxa de câmbio vista no final do ano passado já foi incorporada à inflação. “Há surpresas baixistas de indicadores no curto prazo. Mas quando a gente olha para os vetores de médio prazo, a gente vê uma inflação muito pressionada”, analisou.
“Para o ano que vem, nós mantivemos a projeção (de inflação) em 4,7% por conta de atividade mais forte e a questão fiscal, que acabam impulsionando a inflação”, afirmou.
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Crédito
Anteriormente, a XP projetava um PIB de 2,3% para esse ano e a expectativa passou para 2,5%. De acordo com a economista, o PIB do primeiro trimestre anunciado na semana passada reforçou um consumo das famílias ainda forte.
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“Quando nós olhamos para os dados, nós vemos ainda um mercado de trabalho robusto e taxa de desemprego nos menores níveis da série histórica. Tem ainda as concessões de crédito que estavam desacelerando, mas parece que voltaram a crescer um pouco por conta do crédito consignado para os trabalhos do setor privado”, relatou ela.
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Guerra comercial
A economista contou que a revisão do PIB já teria acontecido para cima se não fosse a guerra comercial imposta por Trump em 2 de abril no chamado “Liberation Day”. “Quando veio essa guerra (comercial), foi mantida a projeção de 2,3%, mas com a amenização das tensões e o resultado doméstico, aumentou-se as projeções (do PIB no Brasil)”, pontuou.
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Para o ano que vem, a projeção do PIB passou de 1,5% para 1,7%. “Temos também algumas medidas de estímulo que vão levar a um maior impulso de demandas das famílias, onde podemos citar a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, que é válida a partir do ano que vem”, cita.
“E tem a criação da faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, liberação de recursos do FGTS. Todas essas medidas levam impulso de renda, mas não apareceram ainda no PIB, mas devem surgir nesse e no ano que vem”, complementou. “Agora tudo isso leva a uma pressão inflacionária”, enfatizou.


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