segunda-feira , 30 março 2026
Lar Economia BC vê sinais incipientes de desaceleração do PIB, mas cenário ainda é inconclusivo
Economia

BC vê sinais incipientes de desaceleração do PIB, mas cenário ainda é inconclusivo


O Banco Central avalia que há sinais incipientes de moderação no crescimento da economia brasileira, mas ainda não há evidências concretas de desaceleração ampla e consolidada. A análise foi apresentada nesta quinta-feira (24) pelo diretor de política econômica da autoridade monetária, Diogo Guillen, durante evento promovido pela XP em Washington, à margem da reunião do FMI.

Guillen ressaltou que a política monetária segue funcionando e deverá ampliar a folga no hiato do produto, reduzindo pressões inflacionárias ao longo do tempo. “A política monetária funciona. Ela atua no hiato do produto e, com sua ampliação, a inflação tende a convergir para a meta”, afirmou.

Segundo ele, a expectativa atual é de uma redução do crescimento de 3,4% para 1,9% entre 2023 e 2024, conforme cenário-base do último Relatório de Inflação. No entanto, o diretor ponderou que a avaliação depende de diversos setores e indicadores, com sinais mistos entre produção industrial, vendas no varejo e mercado de crédito.

Guillen citou o recuo do consumo das famílias no último trimestre como um dos primeiros indícios de moderação. “Houve surpresa negativa no PIB do último trimestre, com queda no consumo das famílias. Mas os trimestres anteriores trouxeram revisões para cima”, observou.

O diretor também destacou a recente estabilização dos indicadores de crédito, que passaram a mostrar leve inflexão após longo período de crescimento, apesar do cenário de juros elevados. “Os volumes foram mais fortes do que o esperado, dado o nível da taxa básica, mas o fluxo financeiro já começa a indicar reversão”, explicou.

Ele lembrou também que as projeções de crescimento ainda não incorporam os possíveis efeitos do novo programa de crédito consignado para trabalhadores do setor privado, que ele julga ser cedo para estimar.

Continua depois da publicidade

Quanto à inflação, Guillen apontou que os núcleos seguem acima do teto da meta e com dispersão entre os componentes, o que reforça o diagnóstico de uma inflação persistente. Ele ressaltou que há consenso dentro do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o desconforto com a ancoragem das expectativas inflacionárias.

No plano externo, Guillen avaliou que o impacto do cenário internacional sobre o Brasil ocorre principalmente pelo canal financeiro, e não comercial, devido ao grau de abertura da economia brasileira. Segundo ele, uma desaceleração global de 1% teria efeito limitado de 0,2 ponto percentual no crescimento do PIB nacional, de acordo com modelos internos do BC.

Por fim, reforçou que o atual momento de alta incerteza exige cautela e flexibilidade na condução da política monetária. “Quando a visibilidade é baixa, é necessário ser ainda mais cauteloso. E quando há menos incerteza, é possível oferecer mais visibilidade e compromisso”, concluiu.



Fonte

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Economia

Governo central registra superávit primário de R$ 36,5 bi em outubro, informa Tesouro

O desempenho das contas foi decorrente de receitas líquidas de R$ 228,991...

Economia

Projeto de isenção do IR terá saldo positivo de R$1,9 bi, diz Barreirinhas

BRASÍLIA (Reuters) – O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta...

Economia

Black Friday 2025 deve bater recorde com R$ 5,4 bilhões em vendas, aponta CNC

As vendas para a campanha de liquidações da Black Friday deste ano,...

Economia

Galípolo realça importância do FGC em relação a benefício implícito de grandes bancos

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na Comissão de Assuntos...

Portal Encontro das Aguas