terça-feira , 7 abril 2026
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Impacto do tarifaço, que já era pequeno para o PIB, ficou menor com lista de exclusão






A ordem que implementa tarifa de 50% dos EUA sobre o Brasil trouxe uma extensa lista de exceções, diminuindo o impacto da medida no Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com a análise da XP, a estimativa é que 42% das exportações brasileiras para os americanos estejam na lista de exceção. Com isso, o efeito negativo inicialmente estimado em 0,30 p.p. do PIB foi reduzido para cerca de 0,15 p.p.

“Com os 40% de exclusão da lista, o impacto macroeconômico, que já era pequeno, ficou ainda menor. Foi excluído, por exemplo, o suco de laranja. Os americanos bebem muito suco de laranja e quase todo vem do Brasil. O impacto para eles seria muito maior. Aqui, afetaria todo o setor, mas lá pegaria toda a população”, analisa Caio Megale, economista-chefe da XP.

A análise foi feita durante a live Tarifas de Trump – Política, economia e investimentos: o que muda?, transmitida na manhã desta quinta-feira (31), que também teve a participação de Raphael “Rafi” Figueredo, estrategista de ações da XP, e Paulo Gama, head de análise política da XP.

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Com as exclusões, a projeção da XP para as exportações em 2025 seria reduzida em aproximadamente US$ 3,5 bilhões, de acordo com o estudo da XP (leia aqui). O valor pode ser alterado porque, segundo Megale, os EUA anunciaram que vão fazer uma atualização na lista de exceção incluindo novos produtos.

“A minha impressão é de que, em poucos dias, não vamos mais falar deste tema. O impacto macroeconômico, se não tiver mais desdobramentos, será limitado”, afirma Megale.

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Trump e o fluxo de capital estrangeiro

Raphael “Rafi” Figueredo, estrategista de ações da XP, afirmou que desde que Donald Trump assumiu a presidência dos EUA neste segundo mandato, em janeiro deste ano, o mercado já esperava sofrer uma certa volatilidade, que foi agravado desde o Liberation Day, quando Trump anunciou as tarifas retaliatórias. “Certamente as exportadoras que têm mercado direcionado aos EUA seriam afetadas, como as que produzem manufaturados, alumínio, ferro”, diz.

“A Embraer foi, de fato, a empresa com maior impacto, afinal 60% da sua receita vai para os EUA. A Embraer produz componentes de avião que são específicos, não tem como direcionar para outros mercados”. Com a lista de exceção, o impacto foi mitigado. Ao todo, 565 artigos de aviação civil entraram na lista de itens que não sofrerão aumento no imposto de importação nos EUA.

Com a ameaça do tarifaço, o mercado global se viu vulnerável aos americanos e começou um rotation para inverter essa exposição. “O Brasil se beneficiou. Recebemos uma entrada líquida que teve pico de US$ 27,5 bilhões de fluxo de capital estrangeiro, algo que não se imaginava no início do ano”, avaliou Rafi.

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Selic alta

Figueredo também comentou os efeitos do anúncio da taxa Selic, que nesta quarta-feira (30) foi mantida em 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom). 

Para ele, o mercado já olha o horizonte de que a taxa de juros vai começar a cair no ano que vem. “O mercado já começou a praticar a queda de juros da Selic, podemos ver isso pelo Swap DI de um ano. Logo, se estamos vendo a taxa cair lá na frente, as cíclicas que sofrem com o serviço da dívida acabam caindo um pouco mais”, diz. “A combinação destes dados só melhora o risco-retorno da renda variável”, analisa.

Corrida eleitoral começou

Em meio ao turbilhão de eventos econômicos, a corrida eleitoral se soma aos fatores de análise dos especialistas. Para Paulo Gama, head de análise política da XP, a eleição está “longe, mas está perto”, porque vai ocorrer só em outubro do ano que vem, mas os elementos políticos já estão em jogo.

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A guerra tarifária trouxe ganhos para a avaliação do governo, que havia começado o ano com baixa aprovação. “Isso deve ter impacto [na corrida eleitoral], mas não necessariamente vai se sustentar [até o pleito]”, afirma.

Para ele, o mercado deve aguardar as definições do julgamento contra Jair Bolsonaro já que, havendo punição, a inelegibilidade vai ganhar maior concretude e poderá mexer com as peças do jogo eleitoral.

Em relação à sanção dos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela Lei Global Magnitsky, o governo deve manter os esforços para não causar maior ruído com os EUA e preservar a relação institucional. 

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“Na retórica, o governo tem sido mais firme, mas na prática ele não usou a Lei da Reciprocidade contra os EUA, o STF foi cauteloso na nota divulgada após o anúncio da sanção”, analisa.

Além disso, o abrandamento da tarifa fragiliza o discurso da oposição de que o governo não estava agindo para proteger os interesses nacionais.

Onde investir no segundo semestre

A instabilidade política afetou até as análises dos especialistas para sugerir investimentos no segundo semestre. Agora, com a concretude das tarifas e o anúncio da Selic, parte das dúvidas já se dissiparam.

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A sugestão de investimento é continuar aproveitando o CDI, já que o cenário de taxa de juros alta vai continuar, e destravar esse investimento para quem tem perfil mais arrojado, colocando parte da alocação em renda variável.

“Temos visto que, em cenário com entrada de fluxo de capital estrangeiro e eventual queda de juros lá na frente, o mercado se antecipa e você vê um valor destravado acontecendo. Empresas que sofrem com serviço da dívida acabam surgindo como oportunidade”, analisa.

Gama afirma que o relatório de investimentos da XP para o segundo semestre (disponível aqui) navega como “um transatlântico e não no efeito lancha/jet ski, que muda o tempo todo”. Entre as indicações, está manter o componente maior em renda fixa para aproveitar os juros em 15%, se aproveitando da curva para usar o carrego o máximo possível. Para os investidores mais sofisticados, já dá para começar a adicionar uma parcela maior de investimentos em renda variável.



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