terça-feira , 31 março 2026
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Inflação nos EUA além do esperado não mudará corte de juro agora, mas ritmo preocupa


A inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos veio acima do esperado em agosto, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (11). O resultado reforça que a inflação ainda não está totalmente controlada, mas não deve impedir um corte de juros já na próxima reunião do Federal Reserve (Fed). O impacto maior pode vir no ritmo dos cortes daqui para frente, avaliam analistas.

“A inflação apresenta uma certa persistência, uma resiliência, uma dificuldade de estabilização, mas o número, apesar de não ser muito favorável ou benigno, ele não deve tirar as apostas de cortes de juros pelos investidores, aposta que o Fed vai cortar juros agora na sua decisão de 17 de setembro”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

O CPI subiu 0,4% em agosto, após alta de 0,2% em julho. Em 12 meses, avançou 2,9%, o maior aumento desde janeiro. O número segue acima da meta de 2% e foi pressionado por alta de 1,9% na gasolina, 0,7% em energia e 0,6% em alimentos no domicílio. Isso “sugere maior repasse tarifário”, afirmou André Valério, economista sênior do Inter.

Leia mais: Inflação ao consumidor (CPI) dos EUA sobe 0,4% em agosto, além do esperado

Embora as tarifas ainda representem um risco altista relevante para a inflação de bens nos próximos meses e a inflação de serviços sugira demora na convergência da inflação para a meta, o efeito composição do mês de agosto ajuda nas projeções de inflação do Fed, segundo Andressa Durão, economista do ASA.

Isadora Junqueira, economista da AZ Quest, acredita que a leitura de inflação vai ditar um pouco mais a comunicação do Jerome Powell, presidente do Fed, e o ritmo de tesouradas. “Acho que, conforme a inflação ficar em um território mais desconfortável, eles provavelmente não vão se comprometer com mais cortes à frente”.

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Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o quadro mostra que a trajetória dos juros fica limitada. “No início do ano, parte do mercado projetava que a taxa, hoje em 4,5%, poderia cair para perto de 3% ou 3,5%. Agora imaginar cortes até abaixo de 4% já parece ousado, sobretudo porque não há sinais de deterioração econômica relevante”, falou.

O peso do mercado de trabalho

Além da inflação, o mercado de trabalho também deve pesar nas decisões do Federal Reserve – talvez até mais, segundo analistas. O governo americano revisou em 911 mil para baixo o número de trabalhadores nas folhas de pagamento – a maior redução desde 2000. Esse cenário pouco aquecido favorece a narrativa de cortes.

Leia mais: Dados atualizados mostram que EUA criaram 911 mil menos empregos do que se acreditava

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“Diante da fraqueza mais evidente no mercado de trabalho, as decisões do Fed tendem a pender para o mandato ligado ao emprego e se antecipar a uma possível desaceleração maior do que o esperado da economia”, disse Rafael Perez, economista da Suno Research.

Mattos, da StoneX, lembrou que a geração de empregos nos Estados Unidos tem sido bem fraca desde o mês de maio. Na semana passada, o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho divulgou que o país criou 22 mil vagas de trabalho em agosto, abaixo do esperado no mês de agosto.

“Alguns riscos para a desaceleração da economia já se mostram presentes, enquanto que os riscos inflacionários ainda não se confirmaram, é bem provável que o Fed vá colocar no seu balanço de riscos, ele vá pender para o lado de tentar suportar a economia, de tentar estimular a economia com cortes de juros e tentar suavizar esse ritmo de desaceleração”, falou.



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