segunda-feira , 26 janeiro 2026
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Isenção de IR pode levar a choque de consumo e puxar inflação e juro, diz consultoria


A isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e descontos para quem recebe até R$ 7.350,00 mensais a partir de 2026, sancionada hoje pelo presidente Lula, pode levar a um choque direto sobre o consumo e puxar para cima o crescimento da economia, mas também a inflação e os juros, avalia a consultoria M4 Intelligence.

Segundo a consultoria, a medida deve proporcionar R$ 40 bilhões por ano de rendimentos adicionais aos trabalhadores beneficiados pela nova regra, que têm alta propensão ao consumo.

Já a compensação desse valor será sobre pessoas de alta renda, com maior propensão a guardar dinheiro. “Em outras palavras, haverá redistribuição de renda de pessoas com alta propensão a poupar para pessoas com alta propensão a consumir, o que reforça nossa premissa inicial do choque sobre consumo”, diz a consultoria em relatório aos clientes.

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Com isso, assim que a nova tabela do IRPF entrar em vigor no ano que vem, milhões de trabalhadores terão um bônus sobre seu salário mensal líquido. “E é plausível supor que esse bônus vá se traduzir em aumento de seus gastos”.

Até 0,6 ponto porcentual de alta na inflação

Nas simulações feitas pela M4 Intelligence, se 100% do ganho extra for para o consumo, haverá um impacto positivo sobre o crescimento do PIB do ano que vem de 0,2 ponto porcentual. Já para a inflação, haveria um aumento de 0,3 ponto porcentual em 2026 e de 0,6 ponto em 2027.

A taxa de juro anual no fim de 2026, por sua vez, poderá ficar 0,9 ponto porcentual acima do esperado, e a de 2027, de um acréscimo0,5 ponto. Já a taxa de desemprego seria reduzida, em -0,2 ponto porcentual no fim de 2026 e -0,1 ponto para 2027.

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Se parte do ganho com a isenção não for para o consumo, mas para pagamento de dívidas, imaginando 80% do valor indo para as compras, o impacto sobre a inflação e juros seria menor.

Nesse cenário, a inflação poderá ter um acréscimo de 0,2 ponto porcentual em 2026 e de 0,5 ponto em 2027. Já a taxa de juro no fim do ano poderá ter um aumento de 0,7 ponto porcentual em 2026 e de 0,4 ponto em 2027.

Para o crescimento do PIB, o impacto seria parecido, com aumento de 0,2 ponto porcentual em 2026 e zero em 2027. O impacto seria o mesmo no desemprego, queda de -0,2 ponto porcentual em 2026 e -0,1 ponto em 2027.

Pressões inflacionárias

Segundo a consultoria, os estudos mostram que, tanto na simulação em que as pessoas gastam todo o ganho extra, quanto naquela em que o gasto é parcial, o impacto na inflação é expressivo. E chama a atenção que o impacto inflacionário é maior em 2027 do que em 2026.

A lógica da projeção é que o choque no consumo leva a um aumento da oferta e do PIB, redução de desemprego e aumento dos salários. E esses movimentos combinados implicam e aumento na inflação. Além disso, há a expectativa dos agentes econômicos, que pode ser outro fator a pressionar a inflação.

Política fiscal pode ampliar impacto

A consultoria alerta também que as políticas monetária e fiscal nos próximos anos serão importantes para definir o impacto final da isenção. Se o governo não conseguir compensar a tempo a perda de arrecadação com a isenção, haverá um impulso fiscal adicional e o impacto sobre inflação e juros pode ser maior.

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O mesmo pode acontecer se o Banco Central não atuar para combater o choque de consumo sobre a inflação. Já se o BC for bem-sucedido em manter as expectativas de inflação estáveis, o impacto na inflação futura seria atenuado, avalia a M4 Intelligence.      



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