terça-feira , 31 março 2026
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Itamaraty avalia lei da reciprocidade econômica como “respaldo legal”


O Itamaraty enxerga como positivo o avanço do projeto sobre a reciprocidade econômica, em especial diante da decisão dos Estados Unidos de aumentar tarifas de produtos importados do Brasil, entre outros países.

Para diplomatas brasileiros, o projeto será um marco legal interno necessário para o país se defender melhor de medidas unilaterais, diante da nova configuração do comércio internacional. Uma espécie de respaldo legal interno para o Brasil se defender de tarifas externas.

Na avaliação de um diplomata ouvido pela CNN, a importância do projeto como um recurso a mais se dá ainda em um momento em que a Organização Mundial do Comércio (OMC) tem vivido um esvaziamento. Há órgãos de solução de controvérsias e instância de recursos da OMC que estão paralisados, por exemplo.

O projeto foi aprovado nesta terça-feira (1°) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pelo plenário do Senado. O texto determina critérios para a reciprocidade em caso de barreiras comerciais a produtos brasileiros. A intenção é contornar possíveis sobretaxas de outros países, em especial para produtos do setor do agronegócio.

O projeto reuniu as alas ligadas ao governo federal e à oposição, já que conta também com o apoio da bancada ruralista.

O texto final apresentado nesta terça, da senadora Tereza Cristina (PP-MS), permitiu que o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorize a adoção de contramedidas em caso de ações de países ou blocos econômicos que:

  • interfiram nas escolhas soberanas do Brasil;
  • violem ou sejam inconsistentes com acordos comerciais de que o Brasil seja parte;
  • e configurem medidas unilaterais com base em requisitos ambientais mais onerosos do que os padrões de proteção brasileiros.

Pela proposta, a Camex poderá adotar como forma de resposta a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual.

Segundo o relatório, as contramedidas devem ser proporcionais ao impacto econômico causado pelas práticas protecionistas que outros países adotarem.

Apesar do avanço do projeto, o governo brasileiro deverá continuar as tentativas de negociações com o governo norte-americano de Donald Trump.



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