quarta-feira , 1 abril 2026
Lar Economia Medidas não resolvem problema fiscal no longo prazo, alerta Pestana, diretor da IFI
Economia

Medidas não resolvem problema fiscal no longo prazo, alerta Pestana, diretor da IFI


Diretor-executivo do Instituto Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, analisou algumas das medidas anunciadas na noite de ontem (8/6) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após reunião com os presidentes da Câmara e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) e líderes partidários.

O pacote completo só deve ser anunciado nesta-terça, após aval do Presidente Lula. Mas algumas das propostas já foram antecipadas após a reunião pelo Ministro Haddad.

Segundo Pestana, a rejeição ao aumento do IOF se deve à má qualidade tributária, ao fato de não ser imposto arrecadatório e ter efeitos nocivos para o crédito.

Uma das medidas aventadas é a tributação das Bets. De acordo Pestana, o faturamento das Bets gira em torno de R$ 300 bilhões. Se a alíquota passa de 12% para 18%, já geraria 18 bilhões por ano. “Além disso, a tributação pode ajudar a combater um transtorno enorme, com endividamento familiar e que está afetando até a saúde mental das pessoas”, acrescentou.

Outra possibilidade anunciada por Haddad é a tributação de renda fixa, letras de credito agrícola (LCA) e imobiliário (LCI), que hoje são isentas de imposto de renda e que passariam a ser tributadas em 5%.

Segundo Pestana, estes fundos financiam setores fundamentais e geradores de empregos. “Você puxa o cobertor de um lado e descobre do outro. A grande atração das LCAs e LCIs são as isenções de tributos. O ganho líquido fica maior do que outras aplicações. É bem provável que a cobrança desincentive as pessoas a investirem”, alerta.

De acordo com Pestana, “o Brasil vive um estrangulamento crescente do orçamento público, é o país que tem o orçamento mais engessado de todo mundo, os sintomas disso são crescimento explosivo da dívida pública, porque a gente não gera superávit pra pagar o juros, então, a dívida está crescendo igual bola de neve.”

Ele prevê um estrangulamento absoluto em 2027. “A discussão não avançou para quebrar a rigidez do nosso orçamento, que é o mais rígido do mundo. Em 2027, 100% do orçamento será obrigatório, não tem margem de manobra nenhuma, investimento zero. Só terá para saúde, educação e transferências obrigatórias”, alerta. E acrescenta: “o futuro Presidente da República terá que fazer uma reforma fiscal profunda”.

Para o diretor do IFI, o ideal seria criar soluções não só para 2025 e 2026. “Melhor resolver definitivamente o problema e não criar medidas paliativas. Este pacote vai depender do detalhamento pra gente saber o quanto ele gera de ajuste e se tem medidas permanentes”, avalia,

“O anuncio, provavelmente, vai resolver o problema deste ano e de 2026, mas tem que ver alcance para médio e longo prazo. Também chama a tenção que mais uma vez são medidas pelo lado da receita e não mexem com as despesas. Precisamos estancar o crescimento da divida publica, retomar a capacidade de investimento e afastar perspectiva de paralisia da maquina publica”, conclui.



Fonte

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Economia

Governo central registra superávit primário de R$ 36,5 bi em outubro, informa Tesouro

O desempenho das contas foi decorrente de receitas líquidas de R$ 228,991...

Economia

Projeto de isenção do IR terá saldo positivo de R$1,9 bi, diz Barreirinhas

BRASÍLIA (Reuters) – O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta...

Economia

Black Friday 2025 deve bater recorde com R$ 5,4 bilhões em vendas, aponta CNC

As vendas para a campanha de liquidações da Black Friday deste ano,...

Economia

Galípolo realça importância do FGC em relação a benefício implícito de grandes bancos

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na Comissão de Assuntos...

Portal Encontro das Aguas