terça-feira , 31 março 2026
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Por que torcidas de times da Argentina se uniram a aposentados em protesto


Torcedores de futebol protestando ao lado de idosos por melhores aposentadorias e contra a repressão a manifestantes de mais de 60 anos. A união inesperada da última quarta-feira (12) chamou atenção e ganhou destaque ao redor do mundo, principalmente após as cenas de repressão a manifestantes pelas forças de segurança.

A aliança entre os torcedores de futebol e os aposentados teve início justamente depois de outros episódios de repressão nas semanas anteriores, também às quartas, dia em que idosos protestam diante do Congresso.

Há alguns dias, um idoso com a camisa do time Chacarita Juniors foi reprimido pela polícia e, segundo a imprensa argentina, acabou quebrando o pulso. Em solidariedade, torcedores do clube participaram do protesto dos aposentados na semana passada, e novamente os manifestantes foram reprimidos.

As cenas de aposentados sofrendo com os efeitos do spray de pimenta usado para reprimi-los e da agressividade policial levou mais torcidas a anunciarem apoio aos protestos.

“Não à repressão contra os avós”, “chega de bater nos nossos velhos”, “não se metam com nossos velhos” e “apoiemos os aposentados” são algumas das frases usadas nas convocações a torcedores que circularam nas redes sociais para o último protesto.

A iniciativa partiu de torcedores de clubes como o próprio Chacarita, e Independiente, Racing, River Plate, Boca Juniors, Tigre, Ferro, Vélez Sarsfield, San Lorenzo de Almagro, All Boys, Deportivo Merlo, entre outros. Também participaram da manifestação organizações políticas de esquerda, movimentos sociais e sindicais.

Torcidas organizadas

Apesar de não se referirem a torcidas organizadas e afirmarem que o chamado é geral para todos os torcedores, os anúncios desencadearam alertas no governo de Javier Milei.

Em comunicado, na véspera do protesto, o ministério argentino da Segurança afirmou que diante da possível participação das torcidas organizadas – chamadas na Argentina de “Barras Bravas” e geralmente associadas à violência – implementaria “medidas rigorosas para garantir a ordem e a segurança pública”.

Durante o protesto, a participação das Barras Bravas não era clara. Alguns torcedores, inclusive, ironizavam o uso do termo pelo governo, afirmando não pertencerem a uma organização de torcedores. Muitos afirmaram participar do protesto em apoio aos seus pais e avós.

Mas, além da forte repressão policial – muitos episódios de violência foram registrados por parte dos manifestantes. Uma viatura, uma moto policial e dezenas de contêineres de lixo foram queimados. Infraestrutura urbana foi destruída e diversos objetos, como pedras e mastros de bandeiras, foram arremessados contra as forças de segurança.

Mais de 100 pessoas foram presas e o governo argentino qualificou os manifestantes como criminosos, e chegou a falar em uma tentativa de golpe de Estado. Nesta quinta (13), integrantes da Casa Rosada voltaram a falar de “Barras Bravas”, que teriam sido pagos para participar do protesto, e criticaram a juíza Karina Andrade, que determinou a soltura dos detidos.

De acordo com a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, e com o prefeito de Buenos Aires, Jorge Macri, muitos dos presos tinham antecedentes criminais. A prefeitura portenha chegou a divulgar fotos e identidades de torcedores das torcidas organizadas dos times Deportivo Español e Nueva Chicago que teriam participado do protesto.

Repressão policial

As acusações do governo acontecem em meio a fortes críticas pela repressão policial que deixou dezenas de feridos no protesto desta quarta. Nesta quinta, o promotor da Procuradoria de Violência Institucional da Argentina ordenou a investigação das agressões à aposentada Beatriz Blanco, de 87 anos, e ao fotógrafo Pablo Grillo, de 35.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram Blanco sendo derrubada por um policial e caindo bruscamente no chão, de costas, durante o protesto. Já Grillo aparece em um vídeo sendo atingido na cabeça por uma bomba de gás lacrimogêneo, enquanto fotografava uma barricada com fogo diante de um cordão policial. Ele sofreu uma fratura profunda no crânio, teve que ser operado e está internado em estado grave.



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