terça-feira , 27 janeiro 2026
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Presidente de Ruanda diz que concorda com EUA sobre cessar-fogo na RD Congo


O presidente de Ruanda, Paul Kagame, disse que concordava com o governo dos Estados Unidos sobre a necessidade de um cessar-fogo no leste da República Democrática do Congo (RDC), mas não deu nenhuma indicação de se curvar aos apelos para que as tropas ruandesas e os rebeldes do M23 que eles apoiam se retirem de Goma.

Os rebeldes marcharam para Goma, a maior cidade no leste da RDC, na segunda-feira (27), na pior escalada de um conflito de longa duração em mais de uma década, deixando hospitais sobrecarregados com o tratamento de pacientes feridos por balas, morteiros e estilhaços.

Os EUA pediram ao Conselho de Segurança das Nações Unidas na terça-feira (28) que considerasse medidas não especificadas para deter a ofensiva rebelde, que forçou dezenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas. O conselho tem autoridade para impor sanções.

Em Goma, capital da província de Kivu do Norte, lojas e casas foram saqueadas. Após vários dias de combates intensos, no entanto, a cidade estava majoritariamente calma, exceto por alguns tiros esporádicos nesta quarta-feira (29), segundo relatos de moradores.

“Tive uma conversa produtiva com o Secretário [de Estado Marco] Rubio sobre a necessidade de garantir um cessar-fogo no leste da RDC e abordar as causas raiz do conflito de uma vez por todas”, escreveu Kagame no X nesta quarta.

Rubio disse a Kagame que Washington estava “profundamente preocupado” com a escalada no conflito de três décadas, que está enraizado nas longas consequências do genocídio de Ruanda e na luta pelo controle dos recursos minerais do Congo.

O Congo e o chefe da manutenção da paz da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmaram que tropas ruandesas estão presentes em Goma, apoiando seus aliados do M23. Ruanda disse que está se defendendo contra a ameaça das milícias congolesas, sem comentar diretamente se suas tropas cruzaram a fronteira.

“O Secretário pediu um cessar-fogo imediato na região e que todas as partes respeitem a integridade territorial soberana”, declarou o Departamento de Estado dos EUA em um comunicado.

Os Exércitos da República Democrática do Congo e de Ruanda trocaram tiros na fronteira compartilhada na segunda-feira, segundo fontes da ONU, enquanto os rebeldes tentavam consolidar o controle de Goma, uma porta de entrada para o comércio de valiosos minérios de estanho e tântalo, pela segunda vez em 13 anos.

Tiros e saques

Em um estádio em Goma na terça-feira, centenas de soldados do governo desarmados e combatentes da milícia sentaram-se no campo de futebol enquanto outros se alinhavam no que os combatentes do M23 descreveram como um processo de desarmamento, de acordo com um vídeo não verificado visto pela Reuters.

“Explosões esporádicas e tiros ainda são ouvidos nos distritos periféricos de Goma. Noite tranquila depois que os rebeldes tomaram o centro da cidade, mas saques de empresas. Aeroporto, internet, eletricidade e água cortados”, disse um morador em uma mensagem telefônica.

O M23 é o mais recente de uma série de insurgências lideradas por tutsis étnicos e apoiadas por Ruanda que agitam o Congo desde o rescaldo do genocídio em Ruanda há 30 anos, quando extremistas hutus mataram tutsis e hutus moderados, e depois foram derrubados pelas forças lideradas por tutsis lideradas por Kagame.

Ruanda diz que alguns dos perpetradores expulsos estão abrigados no Congo desde o genocídio, formando milícias com alianças com o governo congolês e representam uma ameaça aos tutsis congoleses e à própria Ruanda.

O Congo rejeita as queixas de Ruanda e diz que o país vizinho usou suas milícias para controlar e saquear minerais lucrativos, como o coltan, que é usado em smartphones.

Na capital congolesa, Kinshasa, 1.600 quilômetros a oeste de Goma, manifestantes atacaram um complexo da ONU e embaixadas, incluindo as de Ruanda, França, Estados Unidos e Brasil, irritados com o que disseram ser interferência estrangeira.



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