segunda-feira , 30 março 2026
Lar Economia Ritmo de crescimento do crédito segue elevado apesar de condições restritivas, diz BC
Economia

Ritmo de crescimento do crédito segue elevado apesar de condições restritivas, diz BC


BRASÍLIA (Reuters) – O crescimento do crédito no Brasil desacelerou em linha com a moderação da atividade, mas o ritmo de alta segue historicamente elevado, apesar das condições financeiras mais restritivas, disse o Banco Central nesta quarta-feira.
Em nota divulgada após reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), o BC afirmou que o cenário com taxa Selic contracionista, considerando os níveis atuais de inadimplência, endividamento das famílias e das empresas, requer cautela e diligência adicionais na concessão de crédito pelos bancos.

Na avaliação do Comef, os bancos em geral mantêm voluntariamente capital e liquidez em níveis superiores aos requerimentos prudenciais, uma suficiência que é atestada por testes de estresse.
“O Comef acompanha as condições financeiras internacionais, com atenção particular para as consequências da trajetória das políticas monetária e fiscal das economias avançadas, do reposicionamento das políticas comerciais, dos movimentos de reprecificação de ativos financeiros globais e dos eventos geopolíticos”, acrescentou.
Na reunião, o BC decidiu manter em 0% o valor do chamado Adicional Contracíclico de Capital Principal (ACCP), apesar de ter indicado em maio que o patamar poderia ser elevado.
O ACCP é um instrumento de mitigação de riscos relacionados a períodos de crescimento acelerado do crédito, quando há otimismo econômico, ou a fases de redução demasiada da oferta em tempos de pessimismo. Em geral, a reserva é acumulada pelos bancos em momentos de expansão do crédito para ser consumida na fase de retração, suavizando as tendências.
Em maio, a autarquia havia informado que vinha estudando sistemática que estabelece um valor positivo para o ACCP aplicável a períodos sem acúmulo significativo de riscos financeiros, indicando que a medida poderia ser adotada em um futuro próximo.
O BC disse na ocasião que o objetivo seria ampliar o espaço de atuação prudencial, ressaltando que a medida auxiliaria os bancos a absorver perdas causadas por reversão aguda do ciclo de crédito, valorização excessiva dos preços dos ativos ou eventos inesperados.
A autoridade monetária tem mantido a taxa Selic em nível restritivo, de 15% ao ano, com o objetivo de desacelerar a atividade econômica e levar a inflação à meta de 3%. Sob efeito dos juros elevados, o BC registrou na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho que o mercado de crédito tem apresentado uma moderação mais nítida.

(Por Bernardo Caram)



Fonte

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Economia

Governo central registra superávit primário de R$ 36,5 bi em outubro, informa Tesouro

O desempenho das contas foi decorrente de receitas líquidas de R$ 228,991...

Economia

Projeto de isenção do IR terá saldo positivo de R$1,9 bi, diz Barreirinhas

BRASÍLIA (Reuters) – O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta...

Economia

Black Friday 2025 deve bater recorde com R$ 5,4 bilhões em vendas, aponta CNC

As vendas para a campanha de liquidações da Black Friday deste ano,...

Economia

Galípolo realça importância do FGC em relação a benefício implícito de grandes bancos

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na Comissão de Assuntos...

Portal Encontro das Aguas