“Nas décadas de 1930-40-50, quando o Brasil litorâneo voltava-se para conhecer as regiões ‘periféricas’, como o semiárido do Nordeste ou as chapadas do Mato Grosso, o termo ‘regional’ tinha seu charme. Em Literatura chamou-se até de Regionalista ao virtuoso ciclo composto pelos romances de Graciliano Ramos, José Américo de Almeida, Jorge Amado… Hoje, ‘regional’ é o rótulo que os críticos do Sul-Sudeste aplicam nos escritores que, com base em suas vivências interioranas, de um Brasil rural que vai sendo demolido pela agropecuária mecanizada, cantam as dores da terra e das gentes esmagadas pelo modelo econômico predatório. Esse ‘réquiem’ impotente, ainda que primorosamente executado, não desperta mais a boa vontade daqueles senhores do Sul-Sudeste, encastelados em suas cátedras, que se acham no direito de sentenciar o que é e o que não é boa Literatura. Para ser aceito, um escritor interiorano é levado a renegar ou disfarçar sua natureza interiorana, fruto de sua vivência do lugar. Coisa que me recuso a fazer.”

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